7 mercados encantadores ao redor do mundo

Mercados são nossos locais prediletos e um dos primeiros lugares que visitamos em um cidade estrangeira. E por que? Em um mercado dá para colher a essência de um país num zás-trás! Eles nos oferecem uma ampla janela sobre a vida da região.

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Créditos: Heitor e Silvia Reali

Os mercados são nossos locais prediletos e um dos primeiros lugares que visitamos em um cidade

Transitar entre as barracas coloridas é uma das mais abrangentes possibilidades de conhecemos um povo, como as pessoas se relacionam, do que se alimentam, o que a terra produz, a diversidade do trabalho artesanal e, ainda nos desperta o apetite de saber mais sobre o país.

Chichicastenango, Guatemala – a mais bela feira indígena

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Créditos: Heitor e Silvia Reali

Chichicastenango tem a feira indígena mais singulares das Américas

A vida não tem o mesmo ritmo às quintas e sábados em Chichicastenango. Nesses dias se realiza uma feira indígena das mais singulares das Américas: insólita, surrealista, incensada e mirabolante. Nos deixamos levar, sem pressa, pelos labirintos de ruazinhas coloridas que apresentam os mais ricos contrastes entre as barracas de verduras e frutas em profusão, dos odores mesclados, do artesanato, e da policromia dos tecidos feitos em teares manuais que atestam a identidade maia.

As estampas revelam animais, plantas, eventos históricos e religiosos de cada região. É em particular na blusa dos trajes das mulheres, chamadas huipil, a maioria delas bordadas à mão, que essas histórias são narradas. Outro elemento tradicional é o tzute xale utilizado como lenço de cabeça, para carregar mercadorias ou mesmo bebês.

Huasi, Taiwan – night and day

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Créditos: Heitor e Silvia Reali

Os taiwaneses adoram comer e é fácil

Dia e noite, viajantes gourmets caminham eufóricos pelas ruas desse mercado em Taipé, tal como crianças num parque de diversões. Um extenso cardápio vai desde sopa de flores até bebidas à base de saquê e o renomado chá oolong. Incontáveis e diferentes produtos são assados, fritos, tostados, grelhados, ou cosidos no vapor, como os delicados bolinhos Dim sun.

Tudo é preparado ali mesmo na rua, incensando o ar com aromas inusitados. Os taiwaneses adoram comer e é fácil adivinhar porque: em seguida da saudação de bom-dia, Ni Hao! segue-se Chih Fan Le Mei? Ou seja: “você já comeu hoje?”.

Feira do Açai, Belém, Pará

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As frutas da Amazônia carregam sabores únicos que reverenciam a culinária de um Brasil autêntico com influências da alimentação indígena. Uma delas, o açaí, é homenageada com uma feira só para ela que acontece todas as madrugadas, ao lado do Mercado Ver-o-Peso.

Na Feira do Açaí, a frutinha é o “oro negro”, como a definem os ribeirinhos, e a de melhor qualidade é nativa da Ilha do Marajó. Extraído de uma palmeira que cresce em terrenos alagadiços, a fruta pequenina e ácida, de cor arroxeada, quase negra, é conhecida também como o maná da Amazônia.

De alto valor energético e rico em fibras, ela aparece, no norte do país, em receitas tanto doces quanto salgadas, como bolo, pudim, ou mingau, e acompanha de peixes a um simples ovo frito.

Mercado 4 Caminos, Cuba

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Localizado num decadente edifício que ocupa todo um quarteirão, na zona central de Havana, esse mercado captura o espírito da ilha que viveu mais de 50 anos sob rígido embargo econômico. Tons terrosos dominam o piso, as paredes e os produtos. Estes são apenas os produzidos na própria ilha, como abóbora, cebola, milho e feijões. As batatas e inhames mantêm-se cheios de terra, como se fossem recém colhidos. Entre as frutas o mamey, que saboreia a abacate, abacaxi, goiaba, laranja e mangas.

A ala mais simples é a que vende carne. Só se encontra a de porco, e mesmo assim apenas a cabeça, pés e orelhas. A monotonia dos produtos vendidos contrasta com a balburdia dos negociantes e compradores. Ali, feirar, negociar, confunde-se com foliar e até flertar. É comum ouvir os vendedores cumprimentar suas freguesas de “minha deusa, minha rainha e meu amor”.

Mercado flutuante de peixes, Santarém, Pará

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Este mercado nos mostrou o universo dos peixes de água doce dos rios Tapajós e Amazonas: pirarucu, tucunaré, surubim, tambaqui, piracuí (para fazer o bolinho típico da culinária dos santarenos), piranha, gurijuba, curimã, pacu, para citar apenas alguns.

Os peixes começam a ser vendidos logo nas primeiras horas da manhã, quando o calor dá uma trégua e também por causa das garças que sem nenhum acanhamento se misturam aos compradores, e surrupiam rapidamente um naco do peixe enquanto está sendo limpo.

Mercado Paul Bocouse, Lyon, França

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Uma leve euforia reina quando se atravessa pela porta de vidro do número 102 da Rua Lafayette. Fundado em 1859, em pouco tempo se tornou um halle – grande mercado. Em 2006, ganhou moderna fachada em cristal e recebeu o nome de um dos mais amados filhos da terra, Paul Bocuse, considerado o chef do século.

No interior o mercado acena com uma verdadeira orgia para os turistas, que se extasiam diante dos 56 boxes de cores variadas e odores insinuantes dos queijos aos embutidos. Os boxes que vendem carne ou queijos exibem, solenemente emoldurados, os importantes prêmios gastronômicos e fotos dos animais criados nos campos ou montanhas. A região se gaba de suas charcuteries: cochonnailles – embutidos de carne de porco; o sabodet feito com os miolos; os saucissons de montagne, andovilles e rillettes.

Mercado Asteca, México

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Por que falar desse mercado que não mais existe? Porque ele foi o grande inspirador de todas as grandes feiras do mundo.

A cidade asteca de Tlatelolco, localizada numa ilha ao norte da capital Tenochtitlán, atual Cidade do México, possuía o mais importante mercado de todo o Império.

Quando em 1519 o México foi conquistado, os espanhóis se maravilharam com a visão da cidade que flutuava sobre as águas: grandes torres e templos, e a praça central onde se localizava o mercado que era duas vezes maior que o da cidade de Salamanca, na Espanha. Era abastecido com os mais raros e diferentes produtos vindos de diferentes regiões. Entre eles, animais vivos, papel, tecidos de lã ou algodão, peles curtidas, penas, esteiras usadas como tapetes ou colchões, pedras preciosas, pincéis e tintas, e todo tipo de utensílios em cerâmica e palha.

O mercado oferecia ainda serviços de cabeleireiro, transporte de mercadorias, vendas de escravos, consultas com o xamã que receitava ervas, e cantinas que serviam tortillas feitas de várias espécies de milho, e nopales, folhas de cactus prensadas servidas como uma espécie de panqueca. Existia o escambo, mas fazia às vezes de moeda, grãos de cacau ou a spondyle, uma concha vermelha. Juízes resolviam pequenas disputas e agentes da lei circulavam para conferir a segurança e os preços.

No Palácio Nacional da Cidade do México, uma série de pinturas murais, de Diego Rivera (1886-1957), ilustram com riqueza de detalhes, a grandeza do mercado asteca que não resistiu à conquista espanhola.

Texto e fotos: Heitor e Silvia Reali, do site Viramundo e Mundovirado